A maioria dos livros que leio, faço-o por motivos profissionais. Mas alguns deles acabam por se revelar excelentes leituras.
Começo pelo último livro que li de um fôlego, não pelo facto de o autor ser um amigo meu, mas porque é realmente um policial cativante desde as primeiras páginas.
O PRIORADO DO CIFRÃO, de João Aguiar, foi lançado recentemente. Diz a sinopse oficial:
Em Londres, na sala do Museu Britânico onde está exposto o Estandarte de Ur, foi encontrado morto Sir Alastair Hopkins-Smith, um conhecido académico inglês. O corpo estava numa estranha posição, com o polegar da mão direita metido na boca, como se estivesse a chuchar no dedo.
Paralelamente, há outras ocorrências: o desaparecimento misterioso, na Áustria, de outro académico, o Prof. Heinrich Loewe; e a morte, num acidente de viação suspeito, de um escritor português, Alfredo Estria, um velhote excêntrico que escreve e publica obras de cunho esotérico. Há algo de comum nos três homens: todos eles se preparavam para atacar violentamente um livro que acaba de ser lançado nos Estados Unidos e promete ser um êxito mundial, o romance The Caravaggio Papers, de Ben Browning, que, através de um suspense bem urdido, passa a mensagem de que, na sua origem, a doutrina cristã era de tipo orgiástico…
The Caravaggio Papers foi publicado por um grande grupo editorial de origem americana, a Thoth International, que detém uma editora portuguesa, a Codex 3, onde trabalha Miguel, o jovem protagonista deste romance. E mais não se pode dizer… Quem leu estas linhas já certamente percebeu que O Priorado do Cifrão é uma (excelente) charge a realidades que todos nós conhecemos e que têm hoje em Portugal uma inesperada actualidade. Ridendo castigat mores - terá dito para si próprio João Aguiar, que certamente se divertiu a escrever este livro tanto como todos nós nos divertimos ao lê-lo.
É uma sátira à sociedade global e, tal como refere o João num dos vídeos editados no sítio da Porto Editora, foi escrito com ácido sulfúrico. No mesmo sítio podem ler as primeiras páginas do livro ou ouvir o 1.º capítulo lido pelo próprio.
Aconselho vivamente!!
Nesta obra Helena Sacadura Cabral relata nove séculos de história de Portugal através do olhar e do destino que a vida reservou a nove surpreendentes mulheres — D. Teresa, a autonomista, D. Isabel, a pacificadora, D. Leonor Teles, a licenciosa, D. Filipa de Lencastre, a ínclita mãe inglesa, D. Catarina de Áustria, a centralizadora, D. Luísa de Gusmão, a poderosa, D. Carlota Joaquina, a usurpadora, D. Maria II, a restauradora, e D. Amélia, a protectora dos desvalidos.
Sobre o papel das mulheres na construção do país que somos, reina o silêncio. Se é indiscutível que a História de Portugal foi erigida com uma importante influência feminina, também é verdade que este contributo tem sido lamentavelmente minorado ou mesmo esquecido pela grande maioria dos historiadores. Exaltamos os nossos reis, as suas qualidades, os jogos de poder em que estiveram envolvidos, as vitórias que alcançaram. Mas as suas consortes são quase sempre vistas como meros peões deste jogo.
Neste livro, Helena Sacadura Cabral surpreende ao recuperar a história de nove magníficas mulheres que souberam deixar a sua marca e influenciar decisivamente a vida nacional. O que têm em comum D. Teresa, a primeira rainha de Portugal, Santa Isabel, D. Leonor Teles, D. Filipa de Lencastre, D. Catarina de Áustria, D. Luísa de Gusmão, D. Carlota Joaquina, D. Maria, a única mulher a ocupar, por direito próprio, a chefia do Estado português já num ordenamento constitucional, e D. Amélia, que viu morrer nos seus braços o marido e o seu filho, o príncipe herdeiro? Todas elas foram rainhas, regentes, mães, esposas dedicadas, diplomatas de calibre, políticas argutas e quase todas elas sentiram esse imenso fascínio que o poder parece desencadear.
Confessando que não é historiadora, a autora admite ser “uma mulher de hoje que se permite olhar o passado e ter uma interpretação muito própria do que julga terem sido as alegrias ou as tristezas, os encantos ou os desencantos, as ambições ou os tédios, os amores ou os desamores que, eventualmente, terão marcado estas figuras. As quais, em comum, partilham, quase sempre, a ambição de fazer da nossa terra uma mundo melhor”.
Um conjunto de crónicas publicadas no Metro e na Noite.pt, mas que conseguem ser interessantes.
Outro que aconselho é este. Escrito de forma encadeada, como se fosse um guião, o livro prende do princípio ao fim. De salientar o final completamente inesperado, mas surpreendente.
A Esfera dos Livros convidou Virgílio Castelo para se aventurar na escrita. O resultado foi um ambicioso e empolgante romance intitulado “O Último Navegador”.
O actor Virgílio Castelo apresenta-nos, no seu romance de estreia, uma história empolgante e ambiciosa que nos obriga a viajar até ao desconhecido ano de 2044. “O Último Navegador” mostra-nos um novo Portugal onde, depois de uma guerra civil sangrenta que vitimou milhares, nasce uma monarquia moderna. Um país de prosperidade e crescimento, onde não há atrasos nas consultas médicas, onde a Justiça funciona, uma nação com uma nova e fascinante capital chamada Lusitânia, situada entre a Beira Baixa e o Ribatejo. É este o país de Benjamim, o último navegador.
Benjamim é um homem amargurado e sem esperança. Sofreu toda a vida pelo amor de Mariana, assistiu impotente ao suicídio do seu irmão e foi acusado de um crime que não cometeu. É em Rosa, uma jovem psiquiatra, que procura um porto de abrigo para contar a sua terrível história. Rosa, a viver uma crise conjugal, vê o seu mundo virado do avesso. Este homem provoca-lhe sentimentos estranhos, fá-la duvidar da sua ciência e da razão. Leva-a a conhecer novos mundos.
E agora algo completamente diferente. Lêem-se bem, um e outro, e são óptimos para estas tardes chuvosas de Inverno, com uma lareira e/ou uma mantinha de lã polar…
A Esfera dos Livros criou recentemente uma nova chancela inteiramente dedicada aos grandes romances. “O Arco de Diana” vai publicar obras que foram best-sellers em todo o mundo. “Um grande amor tem sempre uma história que merece ser contada, por isso criámos ‘O Arco de Diana’. Uma nova chancela com livros que nos fazem sonhar”, referem os editores, defendendo que “precisamos do amor contraditório e absoluto para que as nossas vidas tenham sentido”.
N’“O Arco de Diana” podem encontrar-se as mais sedutoras histórias de amor e paixão de todos os tempos escritas por grandes romancistas mundiais. São histórias intemporais recheadas de alegria, emoção, amor, ciúme, volúpia, traição e desejo arrebatador. Os dois primeiros volumes, “Um Estranho nos Meus Braços” de Lisa Kleypas e “Flores na Tempestade” de Laura Kinsale já estão disponíveis nas livrarias.
Novela romântica, romance empolgante, passado no século XIX, onde o universo dos sentimentos femininos ganha papel de destaque, “Um Estranho nos Meus Braços” conta a história de Lara Hawksworth e do reencontro com o seu marido que julgava morto. Lara não podia acreditar que o seu marido, desaparecido há um ano num naufrágio, com quem tinha vivido um casamento infeliz e desprovido de amor estava vivo e iria voltar para casa. Como era possível? O homem frio e cruel que lhe atormentou a vida e só lhe deu dor, vergonha e humilhação no leito matrimonial. Agora estava ali. Mais magro, com a pele mais escura, mais velho… mas sem dúvida que era Hunter.
Aquele homem conhecia segredos que só o marido podia saber, tinha a sua fotografia guardada numa pequena caixa, a mesma que ela lhe dera há três anos quando aquele partira para a Índia. Mas, ao mesmo tempo, era um homem assustadoramente diferente. Mais meigo, atencioso aos seus caprichos, decidido a reconquistar o seu amor, a fazê-la sentir uma mulher desejada e a esquecer as memórias tristes do passado.
Já em “Flores na Tempestade” — romance histórico avassalador, onde somos levados ao universo de sentimentos femininos como paixão, amor e desejo — Laura Kinsale conta a história de Christian, um dos homens mais brilhantes e sedutores da alta sociedade inglesa. Um libertino que despertava paixões avassaladoras até que um trágico ataque o condena a um mundo de silêncio, sombras e de loucura.
Christian perde a capacidade de falar e a família coloca-o num sanatório, crente de que perdeu a razão. Maddy, de nascimento modesto e com uma alma simples e generosa, fica presa a este homem que lhe desperta sensações novas. Um homem que oscila entre a raiva e a frustração de estar preso ao silêncio, que a repele, mas que necessita da sua atenção e do seu carinho para o tirar daquele tormento solitário. A amizade que nasce entre os dois transforma-se num amor arrebatador. Fonte de necessidade, desejo… e de uma paixão redentora.
Ok. A primeira reacção é sempre de olhar para mim e pensarem que me passei de vez. Mas depois, quando eu empresto o livro e o lêem, reconhecem que é extremamente interessante.
Não que a vida do senhor me interesse particularmente, mas acontece que a Eduarda Maio traça uma breve história do país nos últimos 50 anos.
E está muito, mas muito bem escrito.
Preconceitos à parte, vale a pena ler. A sério!!!
Uma reedição que só pecou por tardia e que considero de leitura (quase) obrigatória: Stefan Zweig de novo em português
Para a larga maioria dos leitores deste século, Stefan Zweig (Áustria 1881 – Brasil 1942) é um desconhecido, uma quase relíquia literária própria de coleccionadores, um assombro de vazios. Como frequentemente acontece com os fazedores de grandes obras, também Stefan Zweig caiu no esquecimento, tropeçando nas armadilhas do tempo e perdendo-se de quem lê. Mas não de quem pensa a leitura e o seu carácter formativo primordial.
De alguns anos a esta parte, têm surgido um pouco por todo o mundo, línguas e culturas, vários estudos, ensaios, monografias e até debates sobre o escritor, a par com apelos ao reencontro com a sua magnífica obra. A sua capacidade narrativa, a perícia e a delicadeza da descrição dos sentimentos, a elegância do seu estilo converteram-no num narrador fascinante, capaz de seduzir desde as primeiras linhas.
Em Portugal, Stefan Zweig é um nome de mistérios para o grande público, ou até mesmo de ausência já que poucas são as obras editadas no país. No entanto, o escritor austríaco é um dos mais abundantemente lidos e respeitados autores europeus da primeira metade do século XX, tendo-se dedicado a quase todas as actividades literárias. Desde a poesia, à dramaturgia, Stefan Zweig foi tradutor, ensaísta, diarista, novelista contista, historiador e biógrafo. Reflectiu, filosofou e dedicou-se ao saber e à cultura, apurando um sentido de missão intelectual e existencial muito fortes e característicos de um humanista.
Procurando recuperar a sua obra para a geração actual, a editora A Esfera dos Livros lançou recentemente “Vinte e quatro horas na vida de uma mulher” e “Carta de uma desconhecida”, com tradução de Fernando Ribeiro
“Vinte e quatro horas na vida de uma mulher” é um relato apaixonante e intimista sobre a vida de uma mulher que se liberta das correntes do pudor e do preconceito social em nome de uma paixão avassaladora. Stefan Zweig leva-nos, com a sua habitual mestria, numa viagem ao mundo tortuoso dos sentimentos humanos e das suas incongruências quando a rotina de um hotel na Riviera é abalada por uma notícia escandalosa: uma mulher abandona o marido e as duas filhas, em nome de uma paixão por um jovem que havia acabado de conhecer.
Este episódio despoleta uma acesa discussão entre os hóspedes do hotel e leva a senhora C, uma aristocrata inglesa de 67 anos, a recordar um episódio secreto da sua vida que a tortura há mais de duas décadas.
“Carta de uma desconhecida”, por seu turno, decorre no dia do 40.º aniversário do conhecido romancista R. a partir do momento em que este recebe, entre a habitual correspondência, uma misteriosa carta. Escrita à pressa, com letra de mulher, duas dúzias de páginas de uma confissão que começava assim: “Para ti que nunca me conheceste”. Um relato dramático de uma mulher que ama, desesperadamente, um homem incapaz de amar alguém.
“Carta de uma desconhecida” é um dos mais aclamados livros de Stefan Zweig, no qual o escritor traça um profundo retrato psicológico de uma mulher que amou sem ser amada.
Agora estou a ler:

Nos intervalos vou dando andamento à minha fabulosa prenda de aniversário…

E às minhas eternas colecções policiais:



E entretanto, estou a preparar-me para ler:





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